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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Até logo com saudade!


Sinto saudades…

… da escrita, da procura das imagens, da busca dos temas e do desabafo sentido…
… das conversas, das discussões, das interlocuções, … sinto saudades das amizades construídas sobre este pedaço de ‘papel’…
Eu gostava de cá vir: queria-o bem organizadinho, bem arranjadinho… tratava-o como ‘a minha casa’, como ‘o meu espaço’, onde eu dava um pouco de mim, mostrava um pouco do meu mundo, mas também onde recebia as minhas ilustres visitas, onde aprendia com a sua presença… e sinto essa saudade!

Com culpa e por descuido deixei-o moribundo… deixei-o morrer…

Agora sinto pena de ter permitido que se desmoronasse, mas agora já é tarde!!!

Perdi o acesso ao meu próprio blogue: deixei de poder fazer comentários e responder a quem tão gentilmente me visitava… perdi também o interesse, porque já não podia cuidar dele da mesma maneira!
Pensei em voltar, achei que o podia revitalizar, mas... já não era a mesma coisa…
Não quero desculpar-me… apenas despedir-me… e fazê-lo com profunda saudade!
… um dia talvez nos encontremos por outras paragens…
Até logo!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

MADREDEUS - Haja o Que Houver (video oficial)

(para mudar o registo!)

…
Soubemos que vinham ao Porto!
Logo, logo a Rita (era sempre a Rita a das novidades!) perguntou-nos se queríamos ir vê-los.
Não conhecia!
Ninguém conhecia…
Tratamos de comprar um CD – todas contribuímos (pois!)naquela altura vivíamos com moderação!
Fiquei logo apaixonada pelas melodias… ficamos todas.
Ouvimos, ensaiámos… e ficamos prontas para assistir ao espectáculo…
Fomos. Para as frisas, claro, os bilhetes eram mais baratos. Mas fomos.
…
Que saudades do tempo em que não perdia um concerto no Coliseu ou no Rivoli… ou em Ermal, ou em Paredes de Coura, ou em Alvalade… ou mais nem sei aonde…
Que prazer me dava, no fim (sendo no Porto), descer à Ribeira para acabar a noite. Dançar no extinto “Meia Cave”, até que o sono me consumisse. Voltar para casa de alma cheia…


… Que saudades, Rita, que eu tenho tuas! Estarás sempre por aqui...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Protopoema - José Saramago


Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos
nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os
dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,
e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de
repente não sei se as águas nascem de mim, ou para
mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o
próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os
barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que
vagarosamente deslizam sobre a película luminosa
dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas
águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e
firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo
acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas
da memória e o vulto subitamente anunciado do
futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar
calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que
as aves digam nos ramos por que são altos os
choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,
sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas
verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra
viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se
juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.

(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)

domingo, 10 de janeiro de 2010


Não há lágrimas que afaguem a dor de uma morte!


Adoro-te meu irmão, esta é para ti!


Até já...