
Uma mãe resolveu perguntar aos seus três filhos, qual a opinião deles sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e eventual adopção de crianças.
B, 9 anos, sexo feminino;
G, 8 anos, sexo feminino;
M, 5 anos, sexo masculino.
A conversa resultou nisto:
Mãe – O que é que vocês acham se duas pessoas do mesmo sexo se quiserem casar?
G – Porque é que nos estás a perguntar isso?
Mãe – Gostava de saber a vossa opinião.
B – Eu acho normalíssimo, qual é o problema?
G fica pensativa e em silêncio sem querer transmitir a sua opinião. Olha para os irmãos, mas nada diz.
M – Cada um é que sabe, não é mãe? Ninguém tem nada com isso. Qual é o problema? Então… um marido casa com outro marido e uma mulher casa com outra mulher…
B – Pois, qual é o problema? Então, se duas pessoas gostam uma da outra e se querem casar, que importa se são do mesmo sexo ou de sexos diferentes.
M – Claro, era um marido e outro marido… tatatata (marcha nupcial)… até eu, podia arranjar um marido, não podia mãe?
G mantém-se calada, olhando os irmão e a mãe com alguma desconfiança, mas sempre muito pensativa. Não queria ter uma opinião diferente, não se queria manifestar.
G – Temos mesmo que responder a essa pergunta, mãe?
Mãe – Claro que não, eu é que gostava de saber a vossa opinião, nada mais, mas se não quiseres dar opinião, não és obrigada.
Mãe – E se vocês conhecessem alguém que gostasse e quisesse casar com outra pessoa do mesmo sexo? Iriam olhar de lado essa pessoa? Iriam rejeitá-la?
G fala pela primeira vez no assunto – Não, isso não, claro que não…
B – Claro que não, eu acho “super” normal, rejeitar porquê?
Mãe – Bom, e se um casal homossexual quisesse ter filhos?
Uníssono – Isso não é possível, mãe!
B – Só um homem e uma mulher é que podem ter filhos!
Mãe – Sim, mas se quisessem adoptar?
B – Ah, assim está bem. Se quisessem adoptar podiam… logo que tratassem bem o filho. Eu cá por mim preferia ter dois pais ou duas mães que gostassem de mim e me tratassem bem, do que um pai e uma mãe que me batessem, não me ligassem e isso…
M – Sim, eu também.
G mostra-se engasgada, mas nada diz.
M – Acho que não faz mal. – De repente lembra-se de algo – Ai, mas e depois, como é que fazia… no dia do pai ou da mãe, fazia prendas para que?
B – Ó M, fazias normal, se tivesses dois pais fazias duas prendes no dia do pai, se tivesses duas mães fazias duas prendas no dia da mãe!
M – Ah, está bem, podia ser…
G, finalmente diz tudo o que pensa, se uma só vez, de rajada.
G – Pronto mãe, é assim: eu acho isso tudo uma vergonha! Eu ia ter muita vergonha de ter dois pais ou duas mães. Claro que não iria rejeitar ninguém por isso, se conhecesse alguém assim não ia deixar de ser amiga deles, mas eu para mim não queria… É assim: cada um é que sabe da sua vida, mas que é uma vergonha é. E imagina, uma criança já tem tristeza porque não tem pais, e ainda ia passar pela vergonha de ser adoptada por dois pais ou duas mães? Na escola toda a gente a ia gozar. Eu não ia, mas ia ter pena. Não ia deixar de ser amiga dela por causa disso, mas que ia ter pena, ia. É como o caso do Z (um amigo), não tem mãe, e eu tenho pena… não estou sempre a pensar nisso, mas quando penso, tenho pena… mas não é por isso que não sou amiga dele… tenho pena, pronto.
Agora que é uma vergonha, é. Eu não queria, ia ser infeliz, preferia ficar no orfanato.
B – Olha que no orfanato não deve ser nada bom…
G – Está bem, mas deve ser melhor que ter dois pais ou duas mães…
M – Eu não me importava.
B – Eu também não.
G – Mas pronto, eu importava, e agora não me apetece falar mais nisso.
Esta conversa deixou-me a pensar… Talvez ainda tenhamos que percorrer algum caminho para acertar ponteiros…