quinta-feira, 28 de abril de 2011
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Não me Peçam Razões...

Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
segunda-feira, 28 de março de 2011
“O Poema é um arbusto que não cessa de tremer”
O Poema é escrita,
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
Aurora boreal - António Gedeão

nas paredes do meu quarto.
Sem vidros nem bambinelas
posso ver através delas
o mundo em que me reparto.
Por uma entra a luz do Sol,
por outra a luz do luar,
por outra a luz das estrelas
que andam no céu a rolar.
Por esta entra a Via Láctea
como um vapor de algodão,
por aquela a luz dos homens,
pela outra a escuridão.
Pela maior entra o espanto,
pela menor a certeza,
pela da frente a beleza
que inunda de canto a canto.
Pela quadrada entra a esperança
de quatro lados iguais,
quatro arestas, quatro vértices,
quatro pontos cardeais.
Pela redonda entra o sonho,
que as vigias são redondas,
e o sonho afaga e embala
à semelhança das ondas.
Por além entra a tristeza,
por aquela entra a saudade,
e o desejo, e a humildade,
e o silêncio, e a surpresa,
e o amor dos homens, e o tédio,
e o medo, e a melancolia,
e essa fome sem remédio
a que se chama poesia,
e a inocência, e a bondade,
e a dor própria, e a dor alheia,
e a paixão que se incendeia,
e a viuvez, e a piedade,
e o grande pássaro branco,
e o grande pássaro negro
que se olham obliquamente,
arrepiados de medo,
todos os risos e choros,
todas as fomes e sedes,
tudo alonga a sua sombra
nas minhas quatro paredes.
Oh janelas do meu quarto,
quem vos pudesse rasgar!
Com tanta janela aberta
falta-me a luz e o ar.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
À procura de uma nova canção
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
O homem que caminha...
Não dorme.
...Segue levando pátrias em braços,
Que só ele sabe, que só ele cala,
No colo que embala.
O homem que caminha não corre
Não mente.
Segue levando rumos em braços,
Que só ele sabe, que só ele cala,
No colo que embala.
Há muitos homens num só!
Mulheres, tamanhos homens, num só!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
É nosso!
O homem que caminha não quebra
Não teme,
Não tira,
Não fere.
Luta levando homens em braços,
Que só ele pode, que só ele pode,
No colo que é nosso.
Há muitos homens num só!
Mulheres, tamanhos homens, num só!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
E a distância, além, que auroras traz? Que auroras tem?
E a distância, além, que auroras traz? Que auroras tem?
Isso, meu amigo, só na ida há-de ver,
Só nos passos vai romper, só nos passos vai romper...
Há muitos homens num só!
Mulheres, tamanhos homens, num só!
Há muitos homens num só!
Mulheres, tamanhos homens, num só!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
É nosso!
De quem é esse caminho?
É nosso!
(Maria João Ceia)
VOTA FERNANDO NOBRE!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Homenagem a um amigo Poeta (do Penedo)!
Soube, há uns tempos, que o meu (nosso) amigo Poeta do Penedo era, para além de um conceituado Músico, também um respeitado Letrista…
Assim, lancei-lhe o repto de aqui publicar uma (ou mais) dessas músicas, onde ele tivesse participado como Baterista e cuja letra fosse da sua autoria.
… Investiguei…
Fiquei então a saber que, entre 1989 e 1995, o nosso Poeta tinha participado de um Grupo Coral Infantil, do qual, aliás, foi seu fundador, por terras de Aveiro.
Tudo isto se passou na época em que desabrocharam os “Ministars” (quem não se lembra disso!?!), que fizeram, à data, imenso sucesso... e o nosso Poeta – e o seu grupo – tentaram fazer coisa parecida.
Então, puseram mãos à obra e seguiram em frente!
Umas vezes, socorreram-se de músicas já conhecidas, para as quais criaram letras que se lhes adaptassem. Outras vezes, a maestrina Elsa Martins, companheira de guerra do nosso Poeta, compôs excelentes canções.
Criaram, assim, um reportório de 30 músicas – O que revela um trabalho fantástico e prova muita dedicação e talento! Dessas, 9 (nove) brilharam com letras do famoso Poeta do Penedo, que aqui as assinava solenemente como Jorge Gomes.
... e cantaram, em coro, essas melodias!
Nessa altura, o grupo chegou a ter cerca de 40 crianças, entre os 7 e os 14 anos… hoje adultos, e muitos já pais e mães.
Infelizmente, desse trabalho que eu presumo brilhante, não existem senão gravações áudio, o que torna impossível, pelo menos com os (des)conhecimentos informáticos que eu possuo, a sua reprodução aqui.
Contudo, o Poeta do Penedo / Jorge Gomes, sugeriu-me uma forma de ultrapassar este problema, que eu imediatamente aceitei:
Assim, fui ao you tube e procurei a música “Una Paloma Blanca”, de George Baker Selection, dos anos 70 (essa que segue em baixo); depois, aqui adicionei também a letra, essa sim da autoria de Jorge Gomes, com o título “Pelo Céu da Fantasia”, que a esta música foi adaptada…
Ora, agora é só fazer como o nosso Poeta sugere: Tirar dali o baterista, e colocar lá Jorge Gomes, fazendo um trabalho mais enriquecido do que aquele; depois, entoar a letra que lhe segue, da autoria do próprio, e imaginar 30 crianças a cantá-la com verdadeiro entusiasmo!
Não é a mesma coisa, mas dá para imaginar!!!!
Delicie-se!!!!
PELO CÉU DA FANTASIA
Fui fazer uma viagem
Por um mundo que é só meu
E levei como bagagem
A vida que Deus me deu.
Escolhi como companhia
O pequeno Peter Pan
Pelo céu da fantasia
Tive estrelas como irmãs
REFRÃO
……………………………………………
São histórias de encantar
De um livro universal
Com elas fui voar
Pelo espaço sideral
E o Peter Pan comigo a falar
………………………………………………
Passeei por um jardim
De sorrisos e alegrias
Encontrei Madame Min
A fazer as bruxarias
Acenei ao tio Patinhas
Ao Pateta e à Sininho
Dei um abraço ao Peninha
E brinquei com o Francisquinho
REFRÃO
…………………………………………………
São histórias de encantar
De um livro universal
Com elas fui voar pelo espaço sideral
E o Peter Pan comigo a falar
…………………………………………………….
Disse adeus ás personagens
De uma vida que é tão bela
Encerrada nas imagens
Do autor da Cinderela
Este livro já acabou
Já retornei da viagem
Mas uma coisa ficou
Foi magia na bagagem
REFRÃO
…………………………………………………..
Bonecos eles são
De uma história p’ra contar
P’ra sempre viverão
Num mundo de encantar
E até ficarão comigo a falar
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
O Analfabeto Político - Bertolt Brecht

"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão,
do peixe, da farinha, do aluguer, dos sapatos e dos remédios
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, burlão, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo."
Nada é impossível de Mudar
"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de
hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural
nada deve parecer impossível de mudar."
Privatizado
"Privatizaram a sua vida, o seu trabalho, a sua hora de amar e o seu direito de pensar.
É da empresa privada o seu passo em frente, o seu pão e o seu salário.
E agora não contentes querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence."
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Protopoema - José Saramago

Do novelo emaranhado da memória, da escuridão dos
nós cegos, puxo um fio que me aparece solto.
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os
dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limos,
e tem a macieza quente do lodo vivo.
É um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Toda a água me passa entre as palmas abertas, e de
repente não sei se as águas nascem de mim, ou para
mim fluem.
Continuo a puxar, não já memória apenas, mas o
próprio corpo do rio.
Sobre a minha pele navegam barcos, e sou também os
barcos e o céu que os cobre e os altos choupos que
vagarosamente deslizam sobre a película luminosa
dos olhos.
Nadam-me peixes no sangue e oscilam entre duas
águas como os apelos imprecisos da memória.
Sinto a força dos braços e a vara que os prolonga.
Ao fundo do rio e de mim, desce como um lento e
firme pulsar do coração.
Agora o céu está mais perto e mudou de cor.
É todo ele verde e sonoro porque de ramo em ramo
acorda o canto das aves.
E quando num largo espaço o barco se detém, o meu
corpo despido brilha debaixo do sol, entre o
esplendor maior que acende a superfície das águas.
Aí se fundem numa só verdade as lembranças confusas
da memória e o vulto subitamente anunciado do
futuro.
Uma ave sem nome desce donde não sei e vai pousar
calada sobre a proa rigorosa do barco.
Imóvel, espero que toda a água se banhe de azul e que
as aves digam nos ramos por que são altos os
choupos e rumorosas as suas folhas.
Então, corpo de barco e de rio na dimensão do homem,
sigo adiante para o fulvo remanso que as espadas
verticais circundam.
Aí, três palmos enterrarei a minha vara até à pedra
viva.
Haverá o grande silêncio primordial quando as mãos se
juntarem às mãos.
Depois saberei tudo.
(in PROVAVELMENTE ALEGRIA, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1985, 3ª Edição)
terça-feira, 1 de junho de 2010
Bilhete de Identidade - Mahmud Darwish
Sou árabe
e o meu bilhete de identidade é o cinquenta mil;
tenho oito filhos
e o nono chegará no final do Verão.
Vais zangar-te?
Escreve!
Sou árabe.
Trabalho na pedreira
com os meus companheiros de infortúnio.
Arranco das rochas o pão,
as roupas e os livros
para os meus oito filhos.
Não mendigo caridade à tua porta,
nem me humilho nas tuas antecâmaras.
Vais zangar-te?
Escreve!
Sou árabe.
Sou um homem sem título.
Espero, paciente, num país
em que tudo o que há existe em raiva.
As minhas raízes,
foram enterradas antes do início dos tempos
antes da abertura das eras,
antes dos pinheiros e das oliveiras,
antes que tivesse nascido a erva.
O meu pai descende do arado,
e não de senhores poderosos.
O meu avô foi lavrador,
sem honras nem títulos,
e ensinou-me o orgulho do sol
antes de me ensinar a ler.
A minha casa é uma cabana,
feita de ramos e de canas.
Estás feliz com o meu estatuto?
Tenho um nome, não tenho título.
Escreve!
Sou árabe.
Roubaste os pomares dos meus antepassados
e a terra que eu cultivava com os meus filhos;
não me deixaste nada,
apenas estas rochas;
O governo vai tirar-me as rochas,
como me disseram?
Escreve, então,
no cimo da primeira página:
a ninguém odeio, a ninguém roubo.
Mas, se tiver fome,
devorarei a carne do usurpador.
Tem cuidado!
Cuidado com a minha fome,
Cuidado com a minha ira!
(Israel ataca navios com ajuda humanitária para Gaza!)
terça-feira, 25 de maio de 2010
CARTA DE UM ANGOLANO NO ESTRANGEIRO

Bem sabes que não é isto que queríamos
Não foi com isto que sonhámos,
Partimos para novamente sermos os contratados
E os explorados
Para sermos os sem eira nem beira
Mão de obra barata, partimos
Para construirmos e edificarmos
Com a força dos nossos braços vigorosos
E dos nossos peitos musculosos
Os prédios, as estradas, as pontes...
Em terras alheias, terras distantes
Partimos
Bem sabes que não é isto que queríamos
Tu que sonhaste com doutores e engenheiros
Agora tens-nos carpinteiros e pedreiros
A desenvolver países estrangeiros
Países dos outros
Partimos para sermos espancados
E levarmos bofetadas
Dos cabeças-rapadas
Partimos para sermos desdenhados
E chamados com desprezo, pretos!
Nestes lugares longínquos, lugares incertos
Partimos, mas não queríamos partir
Lá no Menongue queríamos construir
Os hospitais, as escolas, as pontes...
Lá queríamos erguer um arranha-céus
Para então gargalharmos desafiantes
Os brancos europeus
(Mas lá no Menongue, não aqui em Portugal
Que isto nos faz sentir mal)
Partimos
Bem sabes que nos forçaram a partir
Fugimos
Bem sabes que nos forçaram a fugir
Mas não é isto que queríamos
Não foi com isto que sonhámos
O que nós queríamos
O que nós desejávamos
É construir uma ponte
E uma auto-estrada gigante
Que unisse os corações dos angolanos,
É isto que desejamos todos estes anos
Partimos
Mas bem sabes mãe, não é isto que queríamos
Não foi com isto que sonhámos!
Décio Bettencourt Mateus - Escritor Angolano -in "A Fúria do Mar"
sexta-feira, 7 de maio de 2010
Esse Desemprego! - Bertold Brecht

Esse desemprego!
Com satisfação acolhemos
Toda oportunidade
De discutir a questão.
Quando queiram os senhores! A todo momento!
Pois o desemprego é para o povo
Um enfraquecimento.
Para nós é inexplicável
Tanto desemprego.
Algo realmente lamentável
Que só traz desassossego.
Mas não se deve na verdade
Dizer que é inexplicável
Pois pode ser fatal
Dificilmente nos pode trazer
A confiança das massas
Para nós imprescindível.
É preciso que nos deixem valer
Pois seria mais que temível
Permitir ao caos vencer
Num tempo tão pouco esclarecido!
Algo assim não se pode conceber
Com esse desemprego!
Ou qual a sua opinião?
Só nos pode convir
Esta opinião: o problema
Assim como veio, deve desaparecer.
Mas a questão é: nosso desemprego
Não será solucionado
Enquanto os senhores não
Ficarem desempregados!
quinta-feira, 15 de abril de 2010
Lágrima de preta - António Gedeão

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.
Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
Nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Liberdade

Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.
— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.
Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.
Miguel Torga, in 'Diário XII'
domingo, 21 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
VÃO-SE EMBORA - Mahmud Darwish

Passageiros entre palavras fugazes:
carreguem os vossos nomes e vão-se embora,
Cancelem as vossas horas do nosso tempo e vão-se embora,
Levem o que quiserem do azul do mar
E da areia da memória,
Tirem todas as fotos que vos apetecer para saberem
O que nunca saberão:
Como as pedras da nossa terra
Constroem o tecto do céu.
Passageiros entre palavras fugazes:
Vocês têm espadas, nós o sangue,
Têm o aço e o fogo, nós a carne,
Têm outro tanque, nós as pedras,
Têm gases lacrimogéneos, nós a chuva,
Mas o céu e o ar
São os mesmos para todos.
Levem uma porção do nosso sangue e vão-se embora,
Entrem na festa, jantem e dancem…
Depois vão-se embora
Para nós cuidarmos das rosas dos mártires
E vivermos como queremos.
Passageiros entre palavras fugazes:
Como poeira amarga, passem por onde quiserem, mas
Não passem entre nós como insectos voadores
Porque temos guardada a colheita da nossa terra.
Temos trigo que semeámos e regámos com o orvalho dos nossos corpos
E temos aqui o que não vos agrada:
Pedras e pudor.
Se quiserem, levem o passado ao mercado de antiguidades
E devolvam o esqueleto à poupa
Numa travessa de porcelana.
Temos o que não vos agrada: o futuro
E o que semeamos na nossa terra.
Passageiros entre palavras fugazes:
Amontoem as vossas fantasias numa sepultura abandonada e vão-se embora,
Devolvam os ponteiros do tempo à lei do bezerro de ouro
Ou ao horário musical do revólver
Porque aqui temos o que não vos agrada. Vão-se embora.
E temos o que não vos pertence:
Uma pátria e um povo exangue,
Um país útil para o olvido e para a memória.
Passageiros entre palavras fugazes:
É hora de vocês se irem embora.
Fiquem onde quiserem, mas não entre nós.
É hora de se irem embora
Para morrerem onde quiserem, mas não entre nós
Porque nós temos trabalho na nossa terra
E aqui temos o passado,
A voz inicial da vida,
E temos o presente e o futuro,
Aqui temos esta vida e a outra.
Vão-se embora da nossa terra,
Da nossa terra, do nosso mar,
Do nosso trigo, do nosso sal, das nossas feridas,
De tudo… vão-se embora
Das recordações da memória,
Passageiros entre palavras fugazes.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Ser Feliz!

mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…
Fernando Pessoa
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Canção de um professor egípcio - Salah Jahin

"Agora, crianças,
Repitam comigo:
Dar
Tomar
Bombardear
Matar
MATAR!
A lição terminou,
Apanhem seus cadernos manchados de sangue.
Pois dentro do Palácio das Nações Unidas
Há um concurso de Pintura Infantil…
… Agora.
Consciência Mundial, diga-me, minha cara,
Que pensa dessas manchas vermelhas?
São de uma menina egípcia de tez tostada pelo sol
Que era na minha classe a mais brilhante…
… Um crocodilo
Com milhares de patas
Em um mundo que fervilha de fantasmas,
Um mundo omisso
Que silencia diante da trama diabólica…"
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Um Poema, por Amílcar Furtado
A "sonorização" deste poema, declamado em Lingua Gestual Portuguesa, encanta-me!
Não, não me enganei na palavra...
Ao vê-lo, acabei por ouvi-lo... Senti que todos os fonemas surdos se transformaram em sonoros!
