Este fim-de-semana estivemos no Nariz do Mundo, em Moscoso, um dos locais mais bonitos da Serra da Cabreira.
Moscoso pertence ao concelho de Cabeceiras de Basto, Distrito de Braga.
Pernoitamos e fizemos as nossas refeições no restaurante e albergue Nariz do Mundo, que assim se chama por ter a sua localização junto de um desfiladeiro rochoso com esse nome.
Com um toque rústico, o espaço é muito bem cuidado – as paredes de granito e as mesas e os bancos de madeira embelezam-no. Os quartos têm uma decoração simples mas com muito bom gosto.
Tivemos um pouco de azar com o clima, mas a verdade é que a partir da tarde de Sábado, apesar de chuvoso, o tempo conseguiu manter-se mais ou menos estável e foi-nos possível conhecer um pouco da região, dando alguns passeios… molhados.
Como não podia deixar de ser, no restaurante do Sr. João, envoltos num agradável calor, lambuzamo-nos com as delícias típicas daquelas paragens. Quisemos experimentar de tudo: começamos com chanfana de cabra bravia, costeletões de novilho na brasa, cozido à portuguesa e terminamos com rabanadas de mel e bolo de mel.
É, sem dúvida, um local que vale a pena conhecer.
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Portugal nunca me desilude no que toca à sua beleza! Mas desilude-me sempre na sua organização.
É admirável como, num país tão pequeno, conseguimos ter tanto e tão belo. O nosso rectângulo brinda-nos com paisagens estonteantes e totalmente diferenciadas em cada uma das suas regiões. Paramos no Baixo Minho, e somos confrontados com características paisagísticas diferentes das da ali vizinha Trás-os-Montes ou das do Alto Minho. Descemos para as Beiras e comparamos a singularidade de cada uma delas com a originalidade do Ribatejo ou do Alto Alentejo. As particularidades do Baixo Alentejo, da Estremadura ou do Algarve…
Percorramos o país de lés a lés e espreitemos cada pormenor das suas vistas – concluiremos que somos uns privilegiados, uns afortunados… e uns descuidados!
É incrível como não somos capazes de aproveitar nenhuma das potencialidades que a natureza e a história tão gentilmente nos ofereceu – não temos delimitações, sinalizações, indicações… Aparte dos esforços de particulares, que querem ver a sua região crescer e têm olho para vislumbrar a possibilidade de um negócio, não possuímos estruturas capazes de nos permitir fazer um turismo “cultural” e enriquecedor.
As perguntas curiosas dos nossos filhos, ou as nossas próprias, ficam sem resposta face à inexistência de qualquer informação.
- Olha aquela inscrição, aquela gravura, aquela pedra, aquelas ruínas, aquele monumento, aquela estátua, aquela qualquer coisa… Que bonito! O que é? De que época?
- Glup!!!... Errrrr… Não sei!
Ou bem que somos uns especialistas em história e geografia, ou, ficamos sem resposta. Pois que, caso sejamos ignorantes na matéria, não nos é permitido evoluir, já que não temos onde ir buscar informação sobre o que queremos saber.
Vamos à internet pesquisar sobre o assunto, mas não ficamos satisfeitos… procuramos em enciclopédias, pouco nos diz… (sobre muita coisa é mesmo nada), perguntamos a quem pensamos que sabe, e deparamos com imprecisões… Pois que, salvo alguns monumentos (os grandes monumentos, aqueles que já todos conhecemos e sabemos de cor a história e as historietas) que são reconhecidos como património cultural do nosso país, tudo está votado ao abandono estadual e ao esquecimento.
É pena que não sejamos competentes para preservar o que é nosso, não estejamos aptos para conhecermos e dar a conhecer o que de tão rico possuímos, que não sejamos capazes de nos orgulhar de sermos quem somos e de querermos mostrá-lo a toda a gente… Que não consigamos favorecer aquilo que, ao longo da história, os nossas antepassados foram construindo e nos delegaram em herança…
É o chamado: Dar pérolas a porcos!